história

A história e as descobertas dos elementos químicos da tabela periódica. Desde a alquimia até Mendeleev. Com vídeos, imagens e textos.

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metal
Amostra de 2gramas de antimônio

Pequenos copos feitos com o metal antimônio eram populares na época de 1600, e eram utilizados como uma forma de eliminar doenças do corpo. A receita era simples, bastava deixar um pouco de vinho descansando durante a noite dentro deste copo, e então tomar uma certa quantidade do líquido no dia seguinte.

Por ser tóxico, o antimônio presente no vinho causava suor e vômitos, e acreditava-se que esta reação poderia ser uma forma de purgar as doenças. Tal efeito era talvez causado pela formação de tartarato de antimônio e potássio em uma reação do ácido tartárico presente no vinho com as paredes metálicas do recipiente.

Já a forma de um copo poderia ser uma forma de burlar as restrições ao uso de tratamentos a base de antimônio. Pois no período de 1560 a 1660, descrito como o ´Conflito do antimônio´ (Antimony war), existia uma disputa entre duas correntes da medicina, uma defendendo e outra criticando o uso de medicamentos contendo este metal. E tal conflito reunia diversos outros fatores e interesses, que iam além da constatação da eficácia ou toxicidade.

Outra forma de administrar o antimônio era por meio de pílulas metálicas, que eram engolidas com o objetivo de induzir a evacuação. E a história conta que a pílula poderia ser recuperada após a eliminação, lavada e guardada para um próximo uso. Este método podia ser repetido várias vezes e uma destas pílulas poderia ser passada de geração a geração.

Na medicina, substâncias a base de antimônio ainda encontram lugar em certos tratamentos, como por exemplo no combate à leishmaniose.

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle ( luisbrudna@gmail.com ).

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plutônio na tabela periódica
O plutônio é tão interessante em sua história, que mereceu até um livro intitulado ´Plutonium: A History of the World’s Most Dangerous Element ´ (Plutônio: A história do elemento mais perigoso do mundo) ainda não disponível em português).
Aos poucos vamos abordar algumas destas interessantes histórias envolvendo o elemento.

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O nome do elemento, e a sua abreviação, Pu, reservam a primeira surpresa. Na época, um elemento anteriormente descoberto tinha sido o Netúnio, batizado com este nome por causa do planeta Netuno (que não possui o elemento netúnio na sua composição). Portanto nada mais lógico do que optar pela sequência e batizar este novo elemento em homenagem ao planeta Plutão (1), com o nome de Plutônio.

É fácil perceber que a abreviação mais óbvia para o elemento seria Pl. Mas contam que escolheram a abreviação Pu, após uma sugestão dada por Glenn Seaborg, que preferiu o Pu por causa da semelhança do som que uma criança faz ao sentir um cheiro ruim, ´ Pee-yoo!´. Que enfatizaria o lado ruim do elemento. Em inglês P.U. é uma abreviação estilizada para o som de nojo “pew!” ou “pee-you!” (no Brasil usamos comumente o ´Fui!´). Talvez contou pontos na aceitação da sugestão Seaborg ser um dos principais cientistas que trabalhou na equipe que sintetizou a primeira amostra do elemento.

Os pesquisadores na área criaram um clube, o UPPU – You Pee Plutonium, ou seja, ´Você urina plutônio´. Tal era o envolvimento com este periogoso elemento, que pequenos acidentes e descuidos levaram à preocupação em como monitorar o nível de intoxicação, e um dos métodos escolhidos foi a análise da urina. Na época 27 pessoas fizeram parte deste nada saudável clube UUPU. E atualmente a análise da urina continua sendo um método interessante para o monitoramento da presença de plutônio no metabolismo.

E porque a capa de um livro teria escrito o número 49? O plutônio possui o número atômico 94. Seria o número invertido? Para os curiosos deixo esta história para um futuro texto.

(1) Recentemente Plutão perdeu o status de planeta e passou a ser chamado de planeta anão. Isto por uma decisão da União Astronômica Internacional.

Vejas as informações básicas sobre o elemento.
E o falso plutônio orgânico.

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle ( luisbrudna@gmail.com ).

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Quando falamos em diamante a imagem que primeiro vem à mente é de uma belíssima joia, límpida, valiosa e muito brilhante. E para os mais acostumados com a química, também é onipresente a lembrança de ser uma forma alotrópica do carbono.

Mas os diamantes reservam ainda mais surpresas. E uma delas é a existência de diamantes coloridos, e em diversas tonalidades. Em alguns casos estas cores podem ser planejadas no momento de uma manufatura de um diamante sintético.

Nos diamantes naturais, uma das colorações possíveis é de um tom azulado. E um dos responsáveis pelo azul é a condição de presença de pequenas quantidades (1 a 10ppm) de boro na estrutura do diamante.

Um dos mais famosos nesta classe é o diamante Hope. Com sua longa e maravilhosa história, envolvendo roubos, posse pelo rei Luís XIV da França, longos anos sem localização conhecida, e até uma lenda de maldição sobre quem possuir a peça, provavelmente inventada para tornar o seu mistério ainda maior.

Tão longa história não encontra o digno espaço neste texto, e você pode encontrá-la em livros, documentários e palestras, tal como a presente no vídeo logo abaixo.

(em inglês, sem legendas em português)

Atualmente pertencendo ao acervo do Instituto Smithsonian, o diamante Hope foi doado pelo joalheiro Harry Winston, que resolveu enviar pelo correio a jóia de valor inestimável. Ele afirmou que sempre utilizava este método, por ser a forma mais segura e discreta de entrega.

A presença do boro e da peculiar estrutura desta peça garantem ainda um outro fenômeno interessante e particular. Ao incidir luz na faixa do ultravioleta, o diamante Hope e, de forma semelhante, os diamantes azuis desta classe, apresentam uma fosforescência avermelhada (em torno de 660nm). As diferenças nas fosforescências entre os diamantes foi dito ser um possível método de análise da particularidade de cada peça. As informações obtidas foram publicadas na edição de janeiro de 2008 da revista Geology.

Using phosphorescence as a fingerprint for the Hope and other blue diamonds
Geology 2008 v. 36 no. 1 p. 83-86

https://dx.doi.org/10.1130/G24170A.1


Diamante com fosforescência vermelho-alaranjado ao ser exposto a luz UV.

Outros
Como queimar um diamante?

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle ( luisbrudna@gmail.com ).

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diagramas
Continuando com a segunda parte da série da tabela periódica, a equipe do Elements Unearthed aborda os eventos que ocorreram após organização da tabela periódica realizada por Dmitri Mendeleiev.

Eric Scerri e David Black explicam a importância da descoberta raio X e da mecânica quântica na compreensão dos motivos pelos quais os elementos apresentam certas regularidades em suas propriedades, o que possibilitam a organização em uma tabela.

Os vídeos abaixo possuem legendas em português.
Parte 1

Parte 2

Assista os dois primeiros vídeos da série em
História da Tabela Periódica – Antes de Mendeleev

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle ( luisbrudna@gmail.com ).

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Os Anasazis foram um antigo povo indígena norte americano que viveu, entre os anos 600d.C. e 1150d.C., em uma região que atualmente compreende o sul de Utah, norte do Arizona e noroeste do estado de Novo México.

Atualmente a região é árida e com poucas árvores de grande porte próximas aos antigos povoados Anasazi, mas evidências demonstram que durante muitos anos de ocupação Anasazi existiram árvores de grande porte, que foram extensivamente exploradas.

Antropólogos sempre se perguntaram de onde exatamente os habitantes obtiveram as mais de 200.000 árvores utilizadas na construção de elaboradas edificações. A existência de árvores na época, em localidades próximas, já era conhecida pelos historiadores, mas era necessário fazer um rastreamento mais preciso da localização exata de onde as árvores haviam sido extraídas.

Pesquisadores da Universidade de Arizona encontraram a solução para esta questão utilizando o elemento estrôncio como um rastreador da origem dos troncos utilizados pelos Anasazis.

Os resultados desta análise foram publicados no artigo intitulado ´Strontium isotopes reveal distant sources of architectural timber in Chaco Canyon, New Mexico´ na edição de 25 de setembro de 2001 da Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os pesquisadores coletaram 73 amostras de árvores vivas de 6 espécies de coníferas de três diferentes montanhas; Chuska, San Mateo e San Pedro; bem como de amostras de solo e água corrente. Felizmente, as três montanhas possuem razões dos isótopos de estrôncio 87Sr/86Sr claramente características do local, e com valores separados o suficiente para permitir a caracterização. De 6 grandes construções dos Anasazis (em Chaco) os pesquisadores coletaram 52 amostras de troncos de coníferas, selecionadas com base dendrocronológica dos anéis das árvores que indicam que as mesmas eram de anos entre 974 e 1104, compreendendo pelo menos 3 gerações humanas. O resultado obtido indicou que dois terços dos troncos foram rastreados como sendo das montanhas Chuska, e um terço das montanhas San Mateo, e nenhum da montanha San Pedro. Em um dado ano, troncos de uma fonte poderiam se usados em várias casas.


Mapa que mostra as distância das três montanhas em relação a Chaco Canyon.

As evidências indicam uma rede de suprimentos bem organizada e coletadas em longas distâncias. O uso simultâneo de muitas vigas de ambas fontes indica a habilidade dos Anasazis de Chaco para mobilizar trabalhadores de várias comunidades, e coordenar o fluxo de material resultante da tarefa, e existência de fatores socioeconômicos que influenciaram as decisões.

Dica de livro:
Colapso
Como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso

Jared Diamond

Em ‘Colapso – como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso’, Diamond analisa o que fez com que algumas das grandes civilizações do passado entrassem em colapso e o que podemos extrair disso.

Outras informações
Vídeo sobre o estrôncio

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle ( luisbrudna@gmail.com ).

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tabelas antigas
Esta é uma série de vídeos sobre a história da tabela periódica.

Nesta primeira parte, dividida em dois vídeos, a equipe do projeto Elements Unearthed entrevista Eric Scerri, autor de um livro sobre a tabela periódica intitulado ´The Periodic Table: Its Story and Its Significance´.

O Professor Eric Scerri destaca a importancia da conferência que aconteceu em Karlsruhe e dos trabalhos de pesquisa realizados por John Dalton, Amedeo Avogadro, Prout, Lothar Meyer, etc, no entendimento da tabela periódica; indo até o momento histórico das novas proposições feitas por Dimitri Mendeleev.

Os vídeos são ricamente ilustrado com imagens obtidas na ´The Chemical Heritage Foundation (CHF)´, fundação voltada para a preservação da história da química.

Estes vídeos possuem legendas em português. Se não está conseguindo ver as legendas, clique aqui e aprenda como ativar a visualização.
Parte 1

Parte 2

Continue assistindo. Veja as partes 3 e 4 deste vídeo
Mendeleev e além – História da tabela periódica (segunda parte)

Agradecemos o projeto Elements Unearthed por ceder os vídeos para o TabelaPeriodica.Org.

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle ( luisbrudna@gmail.com ).