história

A história e as descobertas dos elementos químicos da tabela periódica. Desde a alquimia até Mendeleev. Com vídeos, imagens e textos.

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VIa SenseiAlan no Flickr.
Antigo anúncio de uma tinta branca contendo chumbo.

O apresentador do canal Chubbyemu – professor de medicina na Universidade de Illinois (EUA) – relata o interessante caso de uma criança de 4 anos de idade que ingeriu uma perigosa quantidade de tinta de um brinquedo antigo que continha chumbo em sua composição.

Chubbyemu descreve com detalhes a presença e efeitos do chumbo no cérebro, rins, sangue e ossos; e em como os sintomas surgem conforme aumentam os níveis tóxicos do chumbo no organismo. Além de ressaltar que exposições na infância podem ter um longo impacto na vida do paciente.

Alertamos que não é necessário pânico em relação à tinta nos brinquedos vendidos atualmente – e que possuem selo de qualidade – pois a legislação proíbe a presença de chumbo na composição. Mas ainda resta a cautela com brinquedos antigos, tintas velhas e materiais com procedência duvidosa.

Vídeo com legenda em português (Brasil).

No Brasil a ANVISA estabelece um limite máximo de 0,05 mg de chumbo por quilograma de suco ou néctares de frutas (RESOLUÇÃO – RDC Nº 42, DE 29 DE AGOSTO DE 2013). E aparentemente não temos recomendações de limites de consumo de sucos de frutas no Brasil.

Atenção! Não utilize este texto ou vídeo como uma fonte de informações de avaliação final de sintomas! Procure um médico!

Aos que estão interessados em mais informações e referências indico ler a descrição do vídeo https://www.youtube.com/watch?v=5qHxEjINCAg no qual Chubbyemu fez uma coleção de artigos sobre o tema.

Texto e legenda escritos por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle ( luisbrudna@gmail.com ). Universidade Federal do Pampa (Bagé) – Licenciatura em Química.

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símbolo material venenoso

Automumificação! O que é isso?! São procedimentos e comportamentos nos quais a própria pessoa prepararia o seu corpo em vida para se tornar uma múmia após a morte.

Como o arsênio entra nesta história? O arsênio é um elemento químico que costuma formar diversas substâncias tóxicas, e em humanos não tem importância biológica evidente – apesar de aparentemente ter alguma utilidade em metabolismo de aves e alguns mamíferos. Acima de uma certa quantidade o arsênio começa a ser tóxico até mesmo para os micro(organismos) que participam do processo de decomposição do corpo após a morte. Então um organismo repleto de arsênio tem uma maior chance de gerar uma múmia.

Arqueólogos atribuem ao arsênio a eficiência de mumificação em múmias de Chinchorro, no Chile; na Catacumba dos Capuchinhos de Palermo, Itália; e nas práticas de automumificação no Japão.

No vídeo abaixo Evan Hadfield, do canal Rare Earth, visitou o Japão e conta um pouco mais sobre este curioso ritual e suas raízes históricas. Ressaltando que em um dos casos o praticante viveu por meses em uma dieta restrita de sementes e pequenos frutos, para aos poucos emagrecer até o limite; então passando a comer cascas e caruma (agulha de pinheiro). E mesmo com toda dedicação ele falhou em tornar-se múmia. Os seguidores da técnica adicionaram então passos ainda mais extremos, como beber a água de um lago contaminado com arsênio e um chá com laca ou verniz!

Vídeo com legenda em português. Ative a exibição da legenda pelo YouTube.

Legenda e texto escritos por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle ( luisbrudna@gmail.com ) – Universidade Federal do Pampa (Bagé) – Licenciatura em Química.

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Quando um elemento químico é descoberto, ou sintetizado, ocorre todo um processo de escolha do nome; com sugestões e debates sobre a viabilidade e adequação das propostas sugeridas.

Atualmente toda esta discussão é centralizada e controlada pela ‘União Internacional de Química Pura e Aplicada’ (International Union of Pure and Applied Chemistry, IUPAC).

No século 18 o químico francês Louis Nicolas Vauquelin estudava as diferenças existentes entre os minérios berilo e esmeralda. E então percebeu que a discrepância entre as duas gemas era a presença de crômio na esmeralda – e também que ambas continham semelhanças dando pistas de algo importante.

Vauquelin anunciou suas descobertas em 15 de fevereiro de 1798 na Academia de Ciências de Paris. E por uma sugestão do editor do periódico ‘Annales de Chimie et de Physique‘ tal substância presente em ambas gemas – na verdade um óxido de berílio – poderia ter o nome de ‘glucina’ por causa do característico sabor doce. Isso em referência à palavra grega γλυκυς (glukús) que significa ‘doce’.

Após alguma relutância e pressão dos colegas, o químico Vauquelin aceitou a proposta de batismo como ‘glucina’, incluindo a abreviação ‘Gl’ para o novo elemento.

O químico alemão Martin Heinrich Klaproth foi um dos críticos ao nome por perceber que a semelhança sonora com o já conhecido aminoácido glicina. Outros cientistas também ressaltaram que sais de ítrio também tinham sabor doce. E agora Vauquelin estava sob críticas de um nome que nem fora sua ideia.

Em junho de 1808 Sir Humphry Davy veio com a proposta de uso do termo ‘glucium’, mais tarde novamente modificado para ‘glucinium’ por ser mais sonoro. Martin Klaproth novamente alegou que a melhor opção seria usar ‘beryllia’ para batizar o óxido deste novo elemento químico. Esta proposta estava sustentada no nome do mineral de origem, o berilo.

Então finalmente o martelo foi batido em setembro de 1949 pela Comissão de Nomenclatura Inorgânica na 15º conferência da IUPAC; decretando oficialmente que o nome do elemento deveria ser berílio. Com alguma relutância da literatura francesa que por alguns anos continuou usando o termo ‘glucinium’.

Fonte: Fontani, Marco, Mariagrazia Costa, and Mary Virginia Orna. The Lost Elements: The Periodic Table’s Shadow Side. OUP USA, 2015.

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estojo contendo a medalha comemorativa

O Professor Martyn Poliakoff foi na Royal Society of Chemistry, em Londres, para conhecer uma medalha muito especial, usada pelo presidente da entidade somente em ocasiões especiais.

Na medalha temos a imagem do químico Joseph Priestley no centro de um hexágono, que representa um anel benzênico, envolta em um círculo de ouro. Cada um dos pequenos segmentos que vemos na medalha é feito de um metal diferente: platina, níquel, titânio, irídio, nióbio, tungstênio, paládio, molibdênio, tântalo, ródio, zircônio e cobalto.

Martyn comenta sobre a história e propriedades de cada um dos metais, observando que vários dos que estão na medalha tem uma aparência prateada, o que é muito comum entre os elementos metálicos da tabela periódica – como pode ser visto neste texto https://www.tabelaperiodica.org/as-cores-dos-elementos-quimicos-da-tabela-periodica/.

Vídeo com legenda em português. Veja aqui como ativar a exibição.

A medalha tem também uma faixa de tecido colorida com o primeiro corante sintético obtido da história – a mauveína. Sendo um dos principais impulsionadores do desenvolvimento de toda indústria química.

Atualmente (fev. 2019) a Royal Society of Chemistry é presidida pela química britânica Carol V. Robinson.

Texto e legenda escritos por Prof. Dr. Luís R. Brudna Holzle ( luisbrudna@gmail.com ) – Universidade Federal do Pampa – Campus Bagé – Licenciatura em química.

Veja também

– Olimpiceno – Química nas Olimpíadas

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localidade de Ytterby e os elementos
Ytterby é uma pequena vila localizada em uma ilha na Suécia que ficou eternizada na história da química.

Esta história iniciou em 1787, quando o tenente Carl Axel Arrhenius [1] encontrou um mineral escuro não identificado. Ele já havia explorado a área como um potencial local para uma fortificação. Seu hobby na química levou-o a perceber a incomum rocha negra, que ele e seu amigo Bengt Geijer examinaram em conjunto com Sven Rinman. O desfecho ocorreu quando o químico finlandês Johan Gadolin analisou completamente o mineral em 1794 e descobriu que 38% de sua composição era de elementos ainda não identificados. O químico sueco Anders Gustaf Ekeberg confirmou a descoberta no ano seguinte e chamou-a de ítria, com o mineral sendo chamado de gadolinita.

Muitos elementos terras-raras foram descobertos no mineral gadolinita, que acabou se revelando a fonte de sete novos elementos; que receberam o nome do mineral e da área. Esses elementos incluem ítrio (Y), érbio (Er), térbio (Tb) e itérbio (Yb) e foram descritos pela primeira vez em 1794, 1842, 1842 e 1878, respectivamente. Em 1989, a sociedade ‘ASM International’ instalou uma placa na antiga entrada da mina, em comemoração ao marco histórico.

Veja uma viagem da equipe do Periodic Videos até a mina.
Vídeo COM legenda em português. Ative a exibição da legenda pelo YouTube.

Tom Scott também comenta sobre a peculiar história do local.
Vídeo com legenda em português.

[1]Lembre que o químico responsável pelos conceitos de acidez é o sueco Svante Arrhenius.

Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Ytterby#Chemical_discoveries

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Os sais contendo sódio já eram conhecidos desde a antiguidade, mas foi somente em 1807 que o químico inglês Humphry Davy realizou um experimento para isolar o sódio metálico.

Sir humphry Davy - wikimedia
Humphry Davy

As primeiras experiências de Humphry Davy com a eletrólise foram com os sais dissolvidos em água. Ao inserir na solução os eletrodos conectados à uma bateria o resultado era apenas uma eletrólise da água. Então em outubro de 1807, aos 28 anos de idade, enquanto realizava experimentos substituindo a solução aquosa salina pelos sais fundidos, conseguiu obter uma certa quantidade do elemento potássio metálico; na mesma linha de raciocínio alguns dias depois ele prosseguiu para realizar eletrólise de outros sais, obtendo então no cátodo o elemento sódio metálico à partir do hidróxido de sódio (NaOH) fundido. Neste caso ele relatou ser necessária uma corrente maior do que a utilizada na produção de potássio. Outros elementos isolados por Davy foram: bário, estrôncio, cálcio, boro e magnésio.

Restava ainda a necessidade de provar e argumentar que o sódio e potássio eram elementos metálicos (substâncias simples). Joseph Gay-Lussac e Louis Thenard eram os principais questionadores da descoberta de Humphry Davy – disputa esta encerrada em 1810 quando os próprios realizaram experimentos que concordavam com as interpretações de Davy. [para mais detalhes veja “Buci, J. R. (2012). Humphry Davy e a questão da classificação do potássio e do sódio. Universidade de São Paulo.“]

A origem do nome e abreviação

O elemento sódio é abreviado na química como Na. A origem está na palavra em latim natrium – referente ao natrão (carbonato de sódio) usado pelos egípcios.

A palavra sódio, é dita ter origem do árabe suda – que significa dor de cabeça. Em latim, o carbonato de sódio usado no tratamento destas dores de cabeça era conhecido como sodanum.

(clique na imagem para ampliar)
sobre a história do elemento
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Veja também
Vulcão com potássio de Davy
Como funciona uma Lâmpada de Davy